Acústica e Alta Fidelidade – Condicionamento Acústico Interno Parte 1

Na matéria anterior me propus a falar em como dimensionar a quantidade de painéis acústicos necessários.

Toda e qualquer sala possui Tempos de Reverberação. Doravante chamados simplesmente RT60. Mas é no singular ou no plural? No plural. Porque, a rigor, são 6 RT60. Prefiro explicar isso com figuras. Veja abaixo.

Crédito: Cysne Sound Engineering

Note que o eixo horizontal mostra 6 frequências que são as frequências centrais de 6 bandas de oitavas. Como se percebe, os tempos de reverberação variam de 1,48 s a 2,16 s. Essa sala é a de um cliente meu, tem volume interno 68 m³. O próximo passo é determinar quais seriam os RT60 ideais. Facinho, facinho. Basta entrar com esse volume da sala no eixo horizontal do gráfico da figura abaixo para encontrar a curva de voz ou de música. Como meu cliente grava instrumentos e vozes, ficamos no meio termo. Ou seja, 0,43 s. Com ligeiro favorecimento para voz, que é a atividade principal dele.   

 

Crédito: Cysne Sound Engineering

Legal. A figura abaixo compara os RT60 da sala sem nenhum condicionamento interno com os RT60 ideais.

Crédito: Cysne Sound Engineering

Olhando para a figura já podemos antever que painéis devem ser usados. No caso, um que absorva mais na banda de oitava de 250 Hz. E agora, José? Agora, você deve procurar entre todos os painéis disponíveis no mercado um que absorva mais na oitava centrada em 250 Hz.

Vou facilitar as coisas para você. Veja a figura abaixo, que exibe os coeficientes de absorção dos painéis absorsores PAD e PAR, que desenhei há muito tempo. Olhando para esta figura e para a anterior, temos duas opções: painéis PAD250 e PAR 250. A escolha depende de quanto as curvas se assemelham. Fica fácil verificar que a melhor escolha é o painel PAR250.

Crédito: Cysne Sound Engineering

Então tentamos com 1 painel. Que não deve bastar. Então aumentamos até que essa região tenha sido integralmente atendida. E chegamos no que mostra a figura abaixo.

Crédito: Cysne Sound Engineering

Veja que “resolvida” a parte inferior do espectro, podemos caminhar para a parte superior. Note que a curva nessa parte superior do gráfico parece a curva de absorção do painel PAD4K. Aplicando alguns desses painéis chegamos ao que mostra a figura abaixo.

Crédito: Cysne Sound Engineering

Analisando as figuras vemos que os resultados são aceitáveis. E assim podemos considerar esta parte do projeto concluída.

Neste ponto convém gerar um gráfico que resuma todos esses passos. Ou seja, os RT60 antes do tratamento,  os valores ideais e os RT60 que devem ser obtidos com a aplicação dos painéis especificados. Aí está a figura comparando essas curvas.

Crédito: Cysne Sound Engineering

Vejam, portanto, que acústica não abriga achismo. Nem prestidigitação. Tampouco fatores como sorte e azar. Gente, para seguir o clichê mais viralizado do momento, seguimos a ciência.

Sei bem que muitos de vocês estão se perguntando. Como faço isso? Por enquanto não dá. Mas, nas próximas matérias vamos ver, com vagar e muitos detalhes, ver cada passo até que você tenha totais condições de especificar o condicionamento acústico de qualquer sala, de forma tecnicamente correta. Sem sobressaltos e sem aquele nozinho na garganta no momento de testar na prática os resultados da sua obra. Abraços a todos. 

Luís Cysne, PhD é doutor em física e engenheiro eletrônico. 

Publicado por Alexandre Algranti

Estudou engenharia, marketing e finanças mas quer mesmo ser jornalista. Continua na busca do fone de ouvido perfeito mas espera jamais encontrar.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *