Marcos “Nasi” Valadão, multimídia e multimusical

Crédito: Ana Karina Zaratin

Marcos “Nasi” Valadão é o frontman da banda de rock IRA! e já cantou com as bandas Nasi & Os Irmãos do Blues e Voluntários da Pátria. Mas ele não para por aí. Conversamos com o ator, comentarista esportivo e até personagem de desenho animado sobre o gosto por som alto e fones de ouvido.

Alexandre Algranti – Nasi, como músico profissional, como você cuida da sua audição?

Marcos “Nasi” Valadão – Segundo a minha fonoaudióloga eu gosto de ouvir música muito alto não porque eu tenha perda auditiva mas por uma questão emocional, psicológica minha. Por trabalhar com rock e sempre ter ouvido rock eu gosto de som alto. Isso as vezes me dá um problema porque em casa eu escuto a TV meio alto. E por isso mesmo que o maior cuidado que eu tenho é fazer regularmente uma audiometria. Uma vez por ano, no máximo uma vez a cada dois anos. A minha última foi muito positiva e para surpresa dos profissionais, pelo meu trabalho e tudo, eu ainda consigo ouvir frequências altíssimas. É claro que tenho perdas, segundo eles uma perda natural e inevitável da idade.

E obviamente eu uso monitores “in ear”desde 2000 mais ou menos. Isso mudou a minha vida, antes de usar os “in ear” eu saia dos shows com zumbido nos ouvidos, e isso é sinal de perda auditiva. Mas eu escuto alto com os “in ear” num show de rock, quando o show é acústico eu coloco mais baixo. Porque eu gosto de ouvir alto.

AA – Qual a importância dos fones de ouvido no seu trabalho ?

MNV – O monitor “in ear” é de extrema importância no meu trabalho. Ele me proporciona uma qualidade na referência de áudio sem interferências externas

AA – Quais fones você usa no palco ?

MNV – No palco eu uso um modelo da Westone de cinco vias moldado para o meu ouvido e calibrado para minha audição conforme a audiometria.

AA – Você ouve arquivos de áudio comprimidos como MP3 ou AAC ?

MNV – Escuto muito0 pouco, só o necessário para ouvir algo que me mandem por WhatsApp.

AA – Vinil ou cd, eis a questão ?

MNV – Sem dúvida o vinil. Em condições normais, com um aparelho minimamente bom, e um vinil minimamente bem cuidado, a resposta sonora fica muita acima do CD, MP3 e qualquer outro arquivo. As frequências, principalmente as mais graves.

Eu sou fã de vinil e readquiri, os vinis sumiram e estão voltando. Eu tenho uma coleção muito grande de vinis, e uma muito grande de CD’s também. Mas o vinil é insuperável.

AA – Quais os cinco discos que você levaria numa viagem a Marte ?

MNV – É uma escolha difícil, mas como eu tenho cinco, eu levaria “Live at Folsom Prison”, um ao vivo do Johny Cash, “Live at the Apollo Vol.1” do James Brown, um ábum duplo, o primeiro e homônimo do The Clash, o “Sell Out” do The Who, um dos primeiros da banda, e o “Hard Again”, o último disco do Muddy Waters.

AA – O que está rolando no seu playlist ?

MNV – Eu ainda não me rendi as playlists, pode ser que um dia eu me renda. Eu uso pouco o celular para ouvir música, só se for alguma coisa que eu precisa procurar num processo de pesquisa.

Eu gosto de ouvir um disco inteiro. Eu já fui DJ da noite, discotequei rap e rock da década de 1980, punk rock, pós punk no início da minha carreira. Mas em casa eu gosto de ouvir um disco de cabo a rabo. Porque um disco é uma viagem em si. Ficar pulando de música para música é coisa de festa, se tiver numa festa e me chamarem para fazer uma session é uma coisa mas em casa eu gosto de ouvir o disco inteiro. Não fico ligado em fazer playlist.

AA – Qual foi o show da sua banda que você mais gostou ?

MNV – Com o IRA! eu citaria o Rock in Rio de 2001 onde abrimos para o Oasis e o Guns ‘n’ Roses para 250.000 pessoas e saiu até em DVD. Um DVD com o IRA! e o Ultraje a Rigor. Foi um show incrível e explosivo onde tocamos muito bem.

Na minha carreira solo foi abrindo o AC/DC no Morumbi lotado com 80.000 pessoas em 2010, foi sensacional.

Publicado por Alexandre Algranti

Estudou engenharia, marketing e finanças mas quer mesmo ser jornalista. Continua na busca do fone de ouvido perfeito mas espera jamais encontrar.

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