Tuto Ferraz, baterista e produtor musical

Crédito: Edu Pimenta

O baterista e produtor Tuto Ferraz é louco por ritmos desde os 3 anos de idade. Com extensa formação acadêmica no Brasil e nos EUA, estudou e tocou com uma lista de artistas digna de outros posts. Conversamos com ele sobre música e fones de ouvido durante sua recuperação da Covid-19.

Alexandre Algranti – Como batera como você cuida da sua audição? Acabei de assistir “The Sound of Metal” e fiquei com medo da história… Você assistiu?

Tuto Ferraz – Não assisti. Dei sorte ao ir estudar nos EUA em 1991 aos 24 anos onde aprendi a usar protetores auditivos o tempo todo. Desde então não machuquei mais o meu ouvido.

Mas também nunca fui muito assim de tocar heavy hetal, eu gostava de pop e rock, funk, soul, essas coisas sempre gostei desde moleque. E rock progressivo também, e dos sons mineiros. Na minha casa sempre foi muito variado, o meu pai ouvia uma coisa mais jazz, minha irmã ouvia uma coisa mais avant-garde.

Eu faço audiometria até hoje, estou com 54 anos e o meu ouvido está legal, tenho perdas pequenas onde mais ou menos todo mundo tem. Não tenho tinnitus nem nada. Eu escuto bem, e ouço mais baixo

AA – Qual a importância do fone de ouvido no seu trabalho?

TF – Desde cedo gravava com minhas bandas no meu quarto em casa com todo mundo usando fones, era aquele problema de todos eles ligados em paralelo, a impedância e tal. E escutava o resultado no quarto da minha irmã, ficava indo e voltando até achar o ponto.

O fone de ouvido é muito importante no meu trabalho, tenho um monte de fones, dos mais acessíveis aos mais caros. Fones acessíveis como o AKG414, que tem um som super gostoso para gravar bateria, eles tem excesso entre 125 Hz e 160 Hz que para quem como eu gosta de bumbo, é um fone que deixa a bateria com mais “punch” assim.

AKG 414 / Crédito: Divulgação

Recentemente comprei três unidades do Bose Quiet Comfort 15, que eu gostei muito do timbre dele, tem um “flat”gostoso e uma imagem estéreo bem legal. E ganhei um par de Verve Buds 100 da Motorola que eu gostei do som.

Motorola Verve Buds 100 / Crédito: Divulgação

Sou muito ligado em timbre e por eu trabalhar com mixagem o resultado tem que soar bem em qualquer fone, mesmo nessas caixinhas sem fio de baixa qualidade.

Então eu preciso de um fone para cada situação. Mas não tenho pirações audiófilas até por não ter grana para isso… Mas é muito importante trabalhar com os equipamentos que te agradam.

AA – Vinil ou CD?, eis a questão…

TF – Eu curto mais vinil, não sou colecionador mas tenho um toca-discos Technics MK, um par de caixas Sony e um Pioneer gigantes e até um equalizador gráfico de 31 bandas e um amplificador Gradiente. E ligo um Airport no sistema para ouvir o Spotify.

AA – Você consome áudio com compressão?

TF – Eu prefiro não. E não me desfiz da minha coleção de CDs, ainda ouço eles.

AA – Fala cinco discos para ouvir nos nove meses de uma viagem para Marte.

TF – Somente cinco? Em nove meses?

AA – No seu caso eu consigo liberar até dez, pode ser.

TF – Eu levaria “The Cure”do Keith Jarret, “American Dream”, do Charlie Haden, “All ‘n’ All” do Earth, Wind and Fire, “The Dark Of The Moon” do Pink Floyd, esse o quadrafônico, “Thriller” do Michael Jackson, “Extra” do Gilberto Gil, “Estrangeiro” do Caetano Veloso e o “Maria Fumaça” da Banda Black Rio.

E tem o “Catch A Fire” do Bob Marley, é um disco muito fora da curva, a coletânea “Epiphany” da Chaka Khan, “Nefertiti” do Miles Davis, “Heavy Weather” do Weather Report, “Plays Live”do Peter Gabriel, “Copacabana” da Sarah Vaughn, “Galos de Briga” do João Bosco e por último “Influências” do Dori Caymi.

AA – São quinze ! Mas OK, estão liberados. E o que está rolando na sua playlist?

TF – Eu tenho a playlist “De TUTO um pouco TOTAL” no Spotify que remete ao meu programa de rádio que rolou na Rádio 89 de Santos e que é uma playlist muito variada. Tem Chaka Khan, Dexter Gordon, Djavan, João Bosco, Doobie Brothers, Neville Brothers, Madonna, Isley Brothers e por aí vai.

AA – Em qual show que você tocou que você mais curtiu ?

TF – Foram três. No Festival de Jazz de Paraty de 2014 eu toquei um disco instrumental autoral meu que nem havia saído ainda. A interação com a platéia foi sensacional, uma grande sensação de “accomplishment”. Infelizmente não gravei.

O do Max de Castro no Rock in Rio, muita gente na plateia. Foi a primeira vez que toquei para tanta gente, e com uma bateria minimalista. A energia do palco fez sumir uma pulseira indígena que eu estava usando…

Eu toquei também no “Amor Geral” da Fernanda Abreu, fui um aprendizado de “timing” de show que ela tem bastante, a banda estava sempre muito empolgada, entrega total.

AA – E qual show que você assistiu que você mais curtiu?

TF – Foram muitos. O Stevie Wonder em São Paulo no Palace foi um negócio espetacular, muito foda, fiquei muito louco. O Queen em São Paulo em 1981 e o Yes no Rock in Rio em 1985 também foram muito foda. E teve o Genesis em Los Angeles. E o Primus abrindo o Living Color em 1991, o Living Color teve que rebolar depois…

AA – “Frizzle Fry” do Primus frita a cabeça…Eu levaria para Marte.

TF – Não tenho nenhum disco deles mas o show me deixou boquiaberto.

Publicado por Alexandre Algranti

Estudou engenharia, marketing e finanças mas quer mesmo ser jornalista. Continua na busca do fone de ouvido perfeito mas espera jamais encontrar.

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