Alan Blumlein: o inventor da estereofonia (em inglês)

Esse programa da rádio BBC conta a história desse grande inovador inglês que em 1933 realizou as primeiras gravações em estéreo.

Os resultados são impressionantes, mesmo levando em conta a nascente tecnologia na época.

Sabe porque a bola de futebol oficial tem a cor branca ?

Coleque o seu fone de ouvido e descubra.

Neste vídeo temos uma demonstração sensacional.

https://www.youtube.com/watch?v=rqaMiDqE6QQ

Aaron Weinstein: 3*3 (Deluxe Audiophile Edition)

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Crédito:Chesky Records

Disco de estréia do violinista e bandolinista de jazz Aaron Weinstein acompanhado de Matt Munisteri na guitarra e Tom Hubbard no contrabaixo em 24 bits e 192 kHz.

Crédito:Chesky Records

São doze músicas gravadas com um microfone de fita estéreo e dois microfones condensador omnidirecionais sem processamento.

Com três variantes totalizando trinta e seis faixas, reproduzindo respectivamente a captação com ambos os microfones de fita e condensador, a captação somente com o microfone de fita estéreo e a captação somente com os microfones condensador.

Com a primeira técnica temos uma imagem estereofônica muito pronunciada com um som mais gordo e bastante informação “fantasma” entre as caixas acústicas.

Já com a segunda técnica temos um som mais brilhante com uma imagem estereofônica mais ampla e um pouco menos informação fantasma.

Finalmente com a terceira técnica temos uma imagem estereofônica bem pronunciada com um som mais balanceado e com boa informação fantasma.

Um excelente disco para exercitar sua audição crítica.

Compre inserindo o cupom “FDOCOMBR” para 20% off até 31/12/2021.

Régis Tadeu, cronista musical

Crédito: Divulgação

Régis Tadeu é dentista, baterista e cronista musical.

Sua paciência com a mediocridade é inversamente proporcional ao seu conhecimento musical enciclopédico diariamente compartilhado no seu canal no YouTube.

Conversamos sobre fones, aparelhos de som antigões e música.

Alexandre Algranti –Como profissional de saúde e de música, quais os cuidados que você toma com a sua audição? O que você faz para preservar a sua saúde auditiva?

Régis Tadeu- A única coisa que eu faço é não ouvir som excessivamente alto. Mesmo aqui em casa e enquanto estou trabalhando eu não ouço música num volume altíssimo.

E especialmente quando eu uso fones de ouvido, eu não gosto de usar fones do tipo in ear porque me incomoda e eu não gosto do som. Eu gosto mais dos fones tradicionais do tipo on ear.

Para mim volume não significa qualidade.

AA- E quando você vai num show. Aliás, quando você ia nos shows…

RT- Quando a gente podia ir nos shows… Eu usava aqueles protetores de silicone in ear que geralmente o pessoal usa nas fábricas.

AA- E você fica longe do palco? Acredito que você assista muitos shows no backstage…

RT- Assistir do backstage eu não gosto. Também não gosto de ficar muito na frente do palco pois como eu já sou um senhor de idade eu não tenho mais saco para ficar aguentando muvuca, empurra empurra, molecada pentelha, sabe, gente com dificuldades cognitivas cantando música errada…

Normalmente eu fico no meio da plateía. nem lá na frente, nem lá no fundo.

AA- E você como um explorador, um arqueólogo musical, qual a importância do fone de ouvido no seu dia a dia?

RT- Para mim é fundamental, e não apenas no trabalho mas até nos meus momentos de lazer, o fone é fundamental. Eu tenho a sorte de ter um excelente equipamento aqui em casa, um equipamento vintage dos anos 70.

Principalmente com determinados discos, aqueles que tem detalhes muito minuciosos de gravação de intrumentos. Então o fone para mim é essencial para captar isso. São detalhes que muitas vezes durante a audição com caixas acústicas acabam escapando um pouco.

AA- Os fones revelam os microdetalhes que as vezes se perdem com a interação entre as caixas acústicas e o ambiente. Eles dão uma pegada mais “cirúrgica”na audição.

RT- Principalmente com as mídias de maior resolução como o SHM-CD e Super Audio CD que tem uma riqueza de detalhes impressionantes que as vezes você está ouvindo nas caixas e acaba escapando. Os fones servem para dar esse “up”na audição.

AA- Eu acabei de comprar os dois primeiros discos do Jimi Hendrix em SACD. São monstruosos…

RT- É um absurdo. Realmente dentro da escala de benefícios que o CD trouxe, o SHM-CD e o SACD estão em patamares bem elevados.

AA- E qual fone de ouvido que você está usando?

RT- Eu uso aquele Sony branco, um fone extremamente simples, relativamente barato. Modelo MDR-ZX110. É um fone simples, muito barato mas ele me dá o tipo de som que eu adoro, nem excessivamente grave, nem excessivamente agudo. Ele tem um equilíbrio nas frequências que para mim é absolutamente perfeito.

Tem gente que prefere fones que previlegam um pouco mais de graves e agudos, para mim não, esse fone é perfeito para o tipo de sonoridade que eu gosto.

Sony MDR-ZX110/Crédito:Sony

AA- Você costuma ouvir música em arquivos comprimidos como MP3 e AAC?

RT- Eu ouço discos que são muitos difíceis de encontrar. Albuns muito raros. E quando baixo, eu procuro o máximo de kbps possível. Eu faço capinha, eu tenho alguns CDR’s aqui de discos muito raros que eu até agora não consegui adquirir.

Para mim ele vai resolver o problema até eu encontrar o album em si. Eu não tenho problema com isto em relação a ter acesso a albuns que eu ainda não tenho.

Evidentemente, e sem querer bancar o audiófilo, que é uma coisa que eu não sou, é sem dúvida que existe uma diferença muito grande entre você ouvir o som analógico do vinil e o som do CD e o som do MP3, por maior que sejam os kbps.

AA- Para mim o MP3 é um exemplo claro de “de-evolution” pregado pelo DEVO, são 70 anos de pesquisa e desenvolvimento em áudio digital jogados fora.

RT- Hoje, para o tipo de finalidade ao qual ele se propõe, até pela velocidade de transmissão, ele tem que ser comprimido, não tem jeito. O problema não é a ferramenta, mas sim a maneira como você usa a ferramenta, pela praticidade na transmissão, eu até concordo que tem que ser essa compressão.

O que não pode é você ficar ouvindo MP3 o tempo inteiro que isso acaba viciando a sua própria audição. E viciando de uma maneira bem ruim. E aí nesse sentido eu concordo com a “de-evolution”. A ferramenta, no que ela se propõe a fazer, a gente tem que aceitar essa limitação. Não tem jeito.

AA- Mas é importante a gente abrir a cabeça das gerações mais novas para que usem com moderação. Na busca de albuns difíceis como você falou. Mas tem que exigir um mínimo de qualidade como a do CD.

RT- Tem que usar como um paliativo. Muitas vezes é a maneira que você tem de conhecer o trabalho de uma banda, de um artista, aí depois você vai buscar mídias mais robustas em termos de qualidade sonora. Ele é apenas um paliativo.

Ele é um curativo mais não pode ser aquele curativo que fica dois ou três anos no seu corpo, tem uma hora que você tem que tirar.

AA- E falando em formatos, vinil ou CD? Eis a questão. Qual que você curte mais?

RT- Eu gosto de ambos os formatos. Eu reconheço que existem diferenças entre os formatos, claro que o CD jamais vai conseguir reproduzir a tridimensionalidade que o som analógico oferece. Não vai acontecer.

Agora eu não acho que um seja melhor que o outro, um seja pior que o outro, são duas mídias diferentes, são duas audições diferentes, e uma não se sobrepõe a outra. Na verdade uma complementa a outra.

Eu tenho vários discos na minha casa que eu tenho em CD e em LP. São audições diferentes. Eu não tenho uma preferência não, sinceramente.

AA- mas não seria uma questão de estética? Eu gosto de ouvir Public Enemy em vinil. Gosto de ouvir o barulho da agulha entrando no sulco, a dinâmica comprimida do vinil. Será que não tem estilos musicais mais propensos para você ouvir em vinil da mesma forma que o eletrônico estaria mais para a sonoridade do CD? Você vê essa dicotomia estética?

RT- Eu até entendo o que você está dizendo mas eu nunca ouvi Prodigy, eu nunca ouvi música eletrônica em vinil. E quando falo em música eletrônica eu falo na música eletrônica mais moderna, Prodigy, Crystal Method, Chemical Brothers, eu não ouvi em vinil. Eu só ouvi em CD então não posso te dar um parâmetro.

Mas para mim não. Eu adoro, eu tenho toda a discografia do Public Enemy tanto em vinil como em CD e para mim não faz nenhuma diferença não. São percepções diferentes de duas ferramentas diferentes.

Talvez quando eu ouvir Prodigy ou Chemical Brothers em vinil talvez eu sinta essa diferença. Mas por enquanto não.

AA- E falando em discografia, esta é a pergunta que não quer calar…Quantos mil discos você tem na sua coleção?

RT- Os CDs eu parei depois de contar 23.000. E LPs eu desencanei de contar depois dos 17.000.

AA- E como é que cabe tudo isso em casa?

RT- Já faz algum tempo que eu tive de mudar para um apartamento maior. Os meus vinis ficam em um determinado cômodo e os meus CDs ficam num outro cômodo.

Ajuda muito o fato de eu não ter família, de eu ser um solteiro convicto, não tenho mulher e não tenho filhos. É impossível você ter uma coleção de discos de grande porte tendo um filho em casa e família, não dá, é muita loucura.

AA- E você procura conrolar o ambiente? Rola um desumidificador? Para você manter principalmente os vinis, para não embolorarem…

RT- Não uso nada disso, a única coisa que eu faço é manter os ambientes sempre ventilados e limpos. Obviamente que os discos pegam um pouco de pó mas eu limpo com frequência.

AA- E você usa aquela capa extra de plástico para proteger a capa de papelão?

RT- Aqui não tem nada de capa de paelão exposta, tudo é protegido por plástico, daqueles plásticos mais grossos, de uma gramatura um pouco maior. Nada fica exposto aqui.

AA- Vamos imaginar que você foi recrutado para viajar para Marte para gravar uns programas. São dezoito meses… Quais cinco discos você colocaria na sua mochila espacial?

RT- Hoje né? Se você me preguntasse na semana passada poderiam ser outros cinco. E se você me perguntar na semana que vem podem ser outros cinco.

Nesta semana seriam o “Tommy” do The Who, o “Led Zepelin IV”, o “Master of Reality”do Black Sabbath, o “Revolver”dos Beatles e o “British Steel” do Judas Priest.

AA- Nada para relaxar muito…

RT- Nada para relaxar, uma viagem para Marte não tem nada para relaxar.

AA- E o que está rolando na sua playlist no seu celular?

RT- Eu não ouço música no celular. Não trabalho ouvindo Spotify e demais serviços de streaming, nada disso. O que tem é o que está rolando na minha casa quando estou escrevendo um texto.

Nesse momento eu estou ouvindo o novo do Joe Bonamassa chamado “Royal Tea”. Que é um disco simplesmente sensacional, um dos melhores do ano passado. Ele é um guitarrista sensacional.

AA- Quem faz música de vanguarda hoje no Brasil? Quais artistas você tem observado que você acha que são os próximos a terem uma carreira longeva?

RT- Ninguém. De bandas que você pode preconizar que irão ter uma carreira longeva, ninguem. Primeiro que hoje no Brasil uma das maiores dificuldades é o artista ter uma carreira longeva, principalmente o artista novo.

É claro que você tem artistas com quarenta ou cincoenta anos de carreira, esses artistas vão morrer em cima dos louros conquistados. Agora, os artistas novos, que você possa cravar que vão ter uma carreira longeva, que vão soltar trabalhos pelo menos uma vez por ano, ninguem, está todo mundo periclitando, está todo mundo em uma situação muito difícil. Inclusive de sobrevivência.

Hoje na música brasileira eu costumo sempre separar a música brasileira da música popularesca brasileira. A popularesca são essas excrecências musicais que fazem uma música de me***. E com cem porcento de aproveitamento zero. Mesmo esses artistas tem uma vida muito curta.

Veja quantos estão tentando emplacar uma carreira internacional e não rola. E são obrigados a apelar para coisas extra musicais, mostrar a bu***, dar detalhes da vida sexual, fazer reality shows, é isso que vai sobrar para eles.

Em contrapartida temos toda uma geração de jovens artistas e bandas brasileiras fazendo um trabalho absolutamente sensacional, só que não vão conseguir atingir a grande mídia porque hoje temos uma imensa massa de público consumidor com dificuldades cognitivas.

AA- Quais bandas estão fazendo um bom trabalho?

RT- A minha banda favortita de rock and roll no Brasil hoje é o Baranga. É uma banda de rock and roll muito boa. Tem um pianista de jazz chamado Amaro Freitas de Pernambuco que faz um trabalho sensacional, uma mistura de jazz com música brasileira espetacular, de nível internacional mas que infelizmente ninguém conhece.

Crédito: Divulgação

Tem muita gente fazendo coisa boa mas não vai conseguir atingir o mainstream.

Crédito: Divulgação

AA- Fala do seu setup de áudio. Você é adepto do receiver estéreo, caixa de som grande…

RT- Sim, sem dúvida. Eu tenho tudo antigão. O receiver Marantz, o tocadiscos Technics e caixas da Gradiente, aquela com aquela grade de metal na frente. Ainda tenho tape deck mais quase não uso. Meu CD player é TEAC. Tudo antigão.

AA- Outro aspecto da “de-evolution” são essas caixinhas sem fio mono, sem definição, sem…Jogam fora todo o trabalho feito no estúdio.

RT- Isso já começou com aqueles mini systems, aquilo ali já começou a dar uma degringolada na qualidade sonora.

O que me deixa extremamente enraivecido é gente gastando dinheiro nessas vitrolinhas que imitam rádios antigos. As pessoas não se tocam que esses aparelhos não tem contra peso, a agulha é de cerâmica. Esses hipsters gastam R$ 150,00 num disco de vinil para tocar com agulhas de cerâmica, eles não sabem que estão danificando os discos.

AA- Sem falar que essas vitrolas tem os falantes colados no tocadiscos, jogando o som de volta para a agulha, um horror…

RT- Mas as pessoas que compram essas me*** não estão nem aí para a aqualidade de áudio. Elas querem primeiro tirar foto para dizer que são descoladas, que elas ainda consomem vinil, que é uma mentira, e uilizam esses aparelhos quando fazem a faxina em casa.

AA- Para finalizar, quais as dicas para quem quer dar os seus primeiros passos para colecionar música? Para se aculturar musicalmente um dia chegar nos seus vinte e tantos mil discos.

RT- A molecada hoje não entende o conceito de música impressa numa mídia física. A grande maioria da não geração não entende porque que ela tem que imprimir a música nm lugar, e guardar, e ocupar espaço se ela pode ter 320.000 músicas dentro do celular.

Não tem como você convencer as novas gerações da importância de você ter o LP, o CD, de você ter um bom equipamento. É uma perda de tempo porque a molecada está tão acostumada a ouvir música no celular que ela se dá por satisfeita.

São raras as pessoas mais jovens que se preocupam em comprar um bom equipamento com agulha de diamante, isso é exceção. Eu acho meio bobagem tentar convencer a molecada disso.

Cada um sabe a sua real necessidade auditiva então que vá procurar equipamentos, vá atrás de discos. Senão vai continar todo mundo nesse mesmo rebanho bovino e babão que fica uvindo música em celular com fone tipo ear bud de baixa qualidade.