Acústica e Alta Fidelidade parte 7 – condicionamento acústico interno

A absorção da energia sônica pelos materiais pode ocorrer de inúmeras maneiras. A mais comum delas é a que vamos abordar nesta matéria.

Trata-se da absorção que acontece com todos os materiais porosos. Os exemplos mais clássicos que temos em acústica são as espumas de uretano ou de poliuretano, ambas de células abertas, além das lãs e mantas em geral. Que podem ser de vidro, de rocha basáltica, de fibras sintéticas mineralizadas ou não, de fibras de celulose e tantas outras.

Veja nestas fotos os detalhes obtidos com a ajuda de microcópios eletrônicos de varredura.

Fibra de vidro/Crédito: Cysne Sound Engineering
Lã de rocha basáltica/Crédito: Cysne Sound Engineering
Lã de fibras sintéticas:Crédito: Cysne Sound Engineering
Espuma de céluas abertas/Crédito: Cysne Sound Engineering

Observe que em todos os casos o que mais salta à vista é a porosidade dos materiais, exposta em detalhes pela ampliação das fotos. 

Regras da física geral estabelecem que, ao incidir nessas superfícies, o som as penetra e começa a sofrer reflexões sucessivas, impostas pelas superfícies irregulares das fibras dos materiais. Em cada uma dessa reflexões há um transformação parcial de energia, de sua forma sonora para calor. Se a espuma ou lã é aplicada a uma parede, ao final de um tempo o som incidente volta, após sofrer reflexão na superfície da parede. Num processo que, podemos dizer, é de duas vias. Entretanto, se a espuma ou lã fica pendente no ar, o som incide de um lado e sai pelo outro. E aí estamos falando de um processo de uma só via. 

Cada material poroso possui o seu próprio conjunto de coeficientes de absorção sonora. Neste momento gostaria de aprofundar essa análise e tentar identificar alguns fatores intervenientes que influenciam esses coeficientes de absorção. Vejamos isso separadamente para as espumas e para as lãs.

No caso das espumas, você sabe que elas dificilmente são planas, mas usinadas como na figura abaixo. Qual o objetivo? Aumentar a área de incidência para os sons, o que implica em aumentos correspondentes dos coeficientes de absorção. 

Crédito: Cysne Sound Engineering

O segundo fator interveniente é a espessura do material. Evidentemente, quanto é a espessura maior é o caminho que os sons devem percorrer, com mais transformação de energia em calor. O terceiro fator interveniente é a densidade do material. Até um certo ponto, quanto maior é a densidade maior é a absorção. Mas, após um limite, o som começa a ser mais e mais refletido nas primeiras camadas, de sorte que a absorção estabiliza e logo depois começa a diminuir. Isto é, o material absorsor começa a apresentar o comportamento de uma superfície mais rígida e, portanto, refletente.  

Com relação às lãs, o primeiro fator que influi na intensidade da absorção é a espessura do material. Em princípio, quanto mais espesso é o material absorsor, maior é a absorção. O segundo fator que regula a absorção é a densidade do material, que pode variar entre 10 e 200 kg/m³. Quanto mais denso é o material maior tende a ser a absorção. Há um terceiro fator, que está ligado com a anatomia intrínseca das fibras e de como elas são entrelaçadas. As fibras podem ser mais longas ou mais curtas, mais ou menos espessas, mais ou menos densas e assim por diante. Seu entrelaçamento pode ser mais imbricado, mais justaposto, mais entelhado e assim por diante. A combinação das características das fibras com a tecitura que há entre elas produz coeficientes de absorção diferentes. Aliás, o que explica a existência de coeficientes de absorção muito diferentes para materiais aparentemente semelhantes, de diferentes procedências.

  Finalmente, devo apontar que a maneira de montar os painéis porosos é outro parâmetro que atua diretamente na intensidade da absorção. Em “A” da figura ao lado a lã, com espessura de 25 mm, foi aplicada diretamente na parede. Em B, a aplicação cria um colchão de ar de 25 mm. 

Crédito: Cysne Sound Engineering

Veja como são os coeficientes de absorção desse mesmo painel absorsor, variando apenas a montagem como descrito. A curva azul mostra os coeficientes sem espaçamento, e a curva magenta exibe os coeficientes para espaçamento de 25 mm. Pergunto eu a você, o que aconteceria se o colchão de ar fosse de 100 mm?

Crédito: Cysne Sound Engineering

Luiz Cysne, PhD, é engenheiro eletrônico e doutor em física. 

Marcos “Nasi” Valadão, multimídia e multimusical

Crédito: Ana Karina Zaratin

Marcos “Nasi” Valadão é o frontman da banda de rock IRA! e já cantou com as bandas Nasi & Os Irmãos do Blues e Voluntários da Pátria. Mas ele não para por aí. Conversamos com o ator, comentarista esportivo e até personagem de desenho animado sobre o gosto por som alto e fones de ouvido.

Alexandre Algranti – Nasi, como músico profissional, como você cuida da sua audição?

Marcos “Nasi” Valadão – Segundo a minha fonoaudióloga eu gosto de ouvir música muito alto não porque eu tenha perda auditiva mas por uma questão emocional, psicológica minha. Por trabalhar com rock e sempre ter ouvido rock eu gosto de som alto. Isso as vezes me dá um problema porque em casa eu escuto a TV meio alto. E por isso mesmo que o maior cuidado que eu tenho é fazer regularmente uma audiometria. Uma vez por ano, no máximo uma vez a cada dois anos. A minha última foi muito positiva e para surpresa dos profissionais, pelo meu trabalho e tudo, eu ainda consigo ouvir frequências altíssimas. É claro que tenho perdas, segundo eles uma perda natural e inevitável da idade.

E obviamente eu uso monitores “in ear”desde 2000 mais ou menos. Isso mudou a minha vida, antes de usar os “in ear” eu saia dos shows com zumbido nos ouvidos, e isso é sinal de perda auditiva. Mas eu escuto alto com os “in ear” num show de rock, quando o show é acústico eu coloco mais baixo. Porque eu gosto de ouvir alto.

AA – Qual a importância dos fones de ouvido no seu trabalho ?

MNV – O monitor “in ear” é de extrema importância no meu trabalho. Ele me proporciona uma qualidade na referência de áudio sem interferências externas

AA – Quais fones você usa no palco ?

MNV – No palco eu uso um modelo da Westone de cinco vias moldado para o meu ouvido e calibrado para minha audição conforme a audiometria.

AA – Você ouve arquivos de áudio comprimidos como MP3 ou AAC ?

MNV – Escuto muito0 pouco, só o necessário para ouvir algo que me mandem por WhatsApp.

AA – Vinil ou cd, eis a questão ?

MNV – Sem dúvida o vinil. Em condições normais, com um aparelho minimamente bom, e um vinil minimamente bem cuidado, a resposta sonora fica muita acima do CD, MP3 e qualquer outro arquivo. As frequências, principalmente as mais graves.

Eu sou fã de vinil e readquiri, os vinis sumiram e estão voltando. Eu tenho uma coleção muito grande de vinis, e uma muito grande de CD’s também. Mas o vinil é insuperável.

AA – Quais os cinco discos que você levaria numa viagem a Marte ?

MNV – É uma escolha difícil, mas como eu tenho cinco, eu levaria “Live at Folsom Prison”, um ao vivo do Johny Cash, “Live at the Apollo Vol.1” do James Brown, um ábum duplo, o primeiro e homônimo do The Clash, o “Sell Out” do The Who, um dos primeiros da banda, e o “Hard Again”, o último disco do Muddy Waters.

AA – O que está rolando no seu playlist ?

MNV – Eu ainda não me rendi as playlists, pode ser que um dia eu me renda. Eu uso pouco o celular para ouvir música, só se for alguma coisa que eu precisa procurar num processo de pesquisa.

Eu gosto de ouvir um disco inteiro. Eu já fui DJ da noite, discotequei rap e rock da década de 1980, punk rock, pós punk no início da minha carreira. Mas em casa eu gosto de ouvir um disco de cabo a rabo. Porque um disco é uma viagem em si. Ficar pulando de música para música é coisa de festa, se tiver numa festa e me chamarem para fazer uma session é uma coisa mas em casa eu gosto de ouvir o disco inteiro. Não fico ligado em fazer playlist.

AA – Qual foi o show da sua banda que você mais gostou ?

MNV – Com o IRA! eu citaria o Rock in Rio de 2001 onde abrimos para o Oasis e o Guns ‘n’ Roses para 250.000 pessoas e saiu até em DVD. Um DVD com o IRA! e o Ultraje a Rigor. Foi um show incrível e explosivo onde tocamos muito bem.

Na minha carreira solo foi abrindo o AC/DC no Morumbi lotado com 80.000 pessoas em 2010, foi sensacional.

Apple anuncia streaming em lossless

Crédito: Reprodução

A empresa anunciou hoje que o conteúdo da Apple Music já está disponível em qualidade CD e High Res Audio, com alguns albuns mixados em Dolby Atmos.

Já atualizei todos os meus downloads no meu iPhone, inclusive os comprados.

Quem sabe se no próximo computador que eu autorizar os arquivos não vem em WAV?