Acústica e Alta Fidelidade: Condicionamento Acústico parte 6 -cálculo dos tempos de reverberação com o DaVinci

Já nos valemos de uma sala fictícia com dimensões 3,0 x 2,60 x 4,2 (L x A x C) e volume 32,7 m³. 

Pense em piso cerâmico, forro de gesso e paredes de alvenaria. Duas portas de madeira e uma janela com vidros comuns de 1,60 m x 0,95 m. Então podemos elaborar a seguinte tabela de áreas:

superfíciealvenariacerâmicagessomadeiravidrototais
parede N9,24 m²1,68 m²10,92 m²
parede S9,40 m²1,52 m²10,92 m²
parede E6,12 m²1,68 m²7,8 m²
parede W7,8 m²7,8 m²
piso12,6 m²12,6 m²
teto12,6 m²12,6 m²
totais32,56 m²12,6 m²12,6 m²3,36 m²1,52 m²62,64 m²

 Para começar nossos cálculos, entramos com os valores da linha laranja da tabela acima na coluna B do DaVinci, na aba RT60 ANTES.

 Como resultado temos o que mostra a figura abaixo. O RT60 varia de 2,44 s na banda centrada em 125 Hz e sobe para o máximo de 4,76 s na banda centrada em 4 kHz. O gráfico mostra que os tempos aumentam progressivamente com a frequência. Na aba “ideal” do DaVinci, entre com o volume 32,7 m³ para música pop e jazz e veja que o RT60 ideal é 0,33 s. Nesse ponto já temos uma clara noção do problema.

Crédito: Cysne Sound Engineering

  Próxima etapa é escolher o primeiro painel e definir sua quantidade. Olhando para o gráfico com os RT60 minha opção é pelo painel PAREA. Crio a aba “DOPO 1” e testo o que ocorre com 8 m². Fui aumentando aos poucos até chegar a 12 m². Veja como evoluí com nosso RT60 na figura abaixo.

Crédito: Cysne Sound Engineering

 Agora basta aparar a banda centrada em 125 Hz, para o que vou me valer do painel PAD125. Crio a aba “DOPO 2” e introduzo 4 m² de PAD125. Veja o resultado na figura abaixo. Agora nosso menor RT60 é 0,28 s e o maior é 0,35 s. Isso, e mais as informações que o gráfico revela me parecem ser o suficiente para dar a tarefa por concluída.

Crédito: Cysne Sound Engineering

Já temos o condicionamento interno praticamente definido. Mas falta estabelecer os locais para os painéis. Usualmente faço isso através de um desenho mostrando a paginação de todos os painéis, bem como sua distribuição pelas superfícies da sala. Tudo como no desenho a seguir. Como regra geral para salas retangulares, chamo as paredes de N (norte), S (sul), E (leste) e W (oeste). O que facilita bastante a identificação delas.

Esse desenho com a paginação dos painéis é como se pegássemos a sala e a “desmontássemos” com um dadinho de papel. As paredes caem para o piso e, neste caso, o forro cai ou para a esquerda da parede W ou para a direita da parede E, que foi o que fiz. Uma das regras a seguir com a paginação é tentar obter uma sala tão simétrica quanto possível em relação ao eixo medial. As medidas do desenho estão em metros. Sem escala.

Crédito: Cysne Sound Engineering

Neo Buds Pro: Edifier obtém a primeira certificação Hi Res Audio de um fone TWS no mercado global

Crédito: Reprodução

O Neo Buds Pro tem duas vias e incorpora transdutores do tipo ”armadura balanceada” da empresa Knowles. Falaremos mais sobre essa tecnologia num post futuro.

Um sistema de DSP poderoso oferece até 42 dB de redução ativa de ruídos versus os tradicionais 3o dB dos seus concorrentes padrão.

Cada fone possui três microfones, dois dedicados a captação direcional da voz e um para atenuar os efeitos do vento.

O pontos altos do fone estão na sua resposta de frequência entre 20 Hz e 40 kHz e seu codec LHDC (”Low Latency High Definition) que suporta 24 bits e taxas de amostragem até 96 kHz e que levou a sua certificação de Hi Res Audio pela Japan Audio Society (JAS).

Com o anúncio de streaming em qualidade CD e até mesmo Hi Res Audio nas principais plataformas a Edifier dá um passo muito importante.

Maiores informações sobre o Neo Buds Pro aqui.

Alto & Falante – sobre amplificadores de potência e chuveiros elétricos Parte 2

Crown DC300 / Crédito: Crown

No artigo anterior cobrimos superficialmente as duas leis básicas de Ohm, que relacionam entre si Corrente, Tensão, Resistência e Potência.

Agora podemos começar a falar de amplificadores de potência.

A maioria dos amplificadores de potência existentes no mercado, seja para os mercados doméstico, automotivo ou profissional, pertence a um tipo de amplificador chamado de TENSÃO CONSTANTE, ou seja, não importa a carga “pendurada” à saída que a TENSÃO (“voltagem”) DE SAÍDA permanece constante.

Uma analogia direta e bastante prática seria a REDE ELÉTRICA PÚBLICA, para a qual teoricamente não importa quantas residências e/ou quantos aparelhos elétricos dentro de casa estejam conectados/ligados a ela (REDE) que sempre oferecerá os mesmos 127 ou 220 Volts para seus consumidores.

Ainda dentro dessa analogia, vimos que um chuveiro tem sua “quentura” ou potência associada ao valor final de sua resistência, de forma que quanto MENOR é essa resistência maior é a “CALORIA” da água (*1) e vice-versa. Ou seja, na posição INVERNO a resistência do chuveiro tem um valor significativamente menor se comparada à da posição VERÃO. Em um amplificador de TENSÃO CONSTANTE ocorre exatamente o mesmo conforme a IMPEDÂNCIA (*2) DA CARGA.

Vamos imaginar que um certo amplificador tenha ou ofereça uma tensão de saída de 100 Volts e que temos caixas de diferentes impedâncias a serem “penduradas” à suas saídas, qual seria o resultado ?

Pois bem, vejamos a tabelinha abaixo :

TABELA 1

TENSÃO DE SAIDA VoltsIMPEDÂNCIA DA CAIXA OhmsPOTENCIA DE SAÍDA Watts
100110,000
10025,000
10042,500
10061,660 (aprox)
10081,250
10016625

Lembrando que ela foi gerada utilizando-se da relação :

Potência = (Tensão x Tensão) / IMPEDÂNCIA ou P = (U²)/Z

Mas tambem podemos descobrir a tensão de saída do amplificador, sabendo sua potência e a carga “pendurada” a ele, apenas manipulando a relação acima:

TABELA 2

Potência de Saída WattsCarga na Saída OhmsTensão de Saída Volts
500122.36
500231.62
500444.72
500654.77
500863.25
5001689.44

Tabela criada usando-se a relação U = raiz quadrada ( P x Z )

Observamos que para termos uma potência de saída constante, necessitamos de tensões de saída cada vez maiores em relação às cargas aplicadas.

Uma aplicação prática para a fórmula utilizada na tabela 2 seria a verificação das especificações de um amplificador qualquer onde haja suspeita de que o fabricante não esteja sendo muito confiavel. Vejamos :

Amplificador Barbante MK2

Potência continua de saída :

2 ohms : 1,200 Watts RMS

4 ohms : 750 Watts RMS

8 ohms : 500 Watts RMS

Montando uma tabelinha em função desses dados :

TABELA 3

Potência de Saída WattsCarga Aplicada na Saída OhmsTensão de Saída Volts
1,200248.98
750454.77
500863.24

Podemos observar que existe uma grande diferença entre as tensões de saída especificadas para o MESMO AMPLIFICADOR, o que indica que algo de estranho esta acontecendo nesse aparelho, pois deveria apresentar esses valores de tensão relativamente constante, dado tratar-se de um amplificador de TENSÃO CONSTANTE de saída. Na prática, acontecem ligeiras variações na saída, especialmente em razão de decisões de projeto do aparelho.

Imaginando um fabricante mais objetivo, sério, com as seguintes especificações :

Amplificador TurboFan K1

Potência continua de saída :

2 ohms : 1,800 Watts RMS

4 ohms : 1,000 Watts RMS

8 ohms : 494 Watts RMS

TABELA 4

Potência de Saída WattsCarga Aplicada na Saída OhmsTensão de Saída Volts
1,800260.00
1,000463.25
494862.86

Observamos que a variação na tensão de saída máxima é de 3.25 Volts ou cerca de 5.42% da tensão “básica” a 2 Ohms, o que não esta tão fora da tolerâncias usuais, fatos que não ocorre na Tabela 3.

Observações :

(*1) Peço desculpas aos puristas por alguns termos utilizados, mas creio que dessa forma, eu consiga maior entendimento dos conceitos.

(*2) A grosso modo, RESISTÊNCIA se aplica a cargas onde seus valores não variam com o tempo ou frequência, já a IMPEDÂNCIA se entende como sendo os valores da carga que se alteram com o tempo ou frequência.

Walter Ullman é engenheiro mecânico e gosta de projetar e fabricar equipamentos que tocam bem alto. Bem alto mesmo.