Fone de ouvido sem fio

Sennheiser RS180 com transmissão digital

James Clerk Maxwell (1831-1879) previu e Heinrich Rudolf Hertz (1857-1894) comprovou a existência das ondas eletromagnéticas. Dois Santos Padroeiros do Eletromagnetismo, eles foram respectivamente agraciados com duas unidades de grandeza, o Mx, que mede o fluxo eletromagnético no Sistema CGS; e o Hz, que mede a frequência das ondas no Sistema Internacional (SI).

Mas foi Guglielmo Marconi (1837-1937) que ganhou os louros – os royalties – com a invenção prática do rádio, em uma disputa que envolveu o padre brasileiro Roberto Landel de Moura (1861-1928) e Nikola Tesla (1856-1943) entre outros.

A transmissão sem fio também é de natureza ondulatória: emissoras de rádio e televisão, telefones celulares, microfones sem fio e demais dispositivos sem fio geram distúrbios nos campos elétrico e magnético que se propagam a velocidade da luz.

Os fones de ouvido sem fio foram introduzidos na década de 1990 com tecnologias transmissão via luz infravermelha e via ondas de rádio. A difusão dos smartphones em conjunto com a tecnologia de interconexão sem fio Bluetooth na década de 2010 consolidaram os fones de ouvido sem fio como a categoria do momento.

Porém, fica a questão: fones de ouvido sem fio possuem a mesma qualidade sonora dos fones com fio? Toda transmissão sem fio introduz distorções no sinal de áudio, inerentes ao processo, então pode-se afirmar que, ceteres paribus, com fio sempre é melhor.

Para mitigar os efeitos da transmissão sem fio, foram desenvolvidas tecnologias como a Kleer e a aptX. Enquanto o sistema Kleer permite transmitir áudio em qualidade CD com 16 bits a 44,1 KHz, a tecnologia aptX em sua versão HD permite transmissões com 24 bits a 48 KHz.

A operação sem fio faz necessária uma bateria, geralmente recarregável via cabo USB, com alguns modelos operando por até 30 horas com uma única recarga. Para o caso da bateria descarregar na ausência de um recarregador, os fones de ouvido sem fio geralmente são acompanhados por um cabo de áudio para conexão direta, muitas vezes com um microfone integrado para uso com chamadas telefônicas.

Por último, alguns modelos mais sofisticados incorporam a tecnologia de cancelamento ativo de ruídos, fazendo do fone de ouvido sem fio uma interface homem máquina definitiva.

Breve história dos fones de ouvido

pedido da patente do bi-telefone em 1877

 Os fones de ouvido incorporam tecnologias que foram desenvolvidas  sucessivamente com o advento da telefonia na segunda metade do Século 19, do rádio e do som no cinema na década de 1920 e da alta fidelidade no final década de 1950. 

A cronologia abaixo lista alguns marcos importantes (não é completa, aceita sugestões e correções pois constitui um “work in progress”):

1820: Hans Christian Ørsted observa que uma corrente elétrica é capaz de desviar a agulha de uma bússola, um fenômeno natural que tornaria possíveis os microfones e os alto-falantes eletrodinâmicos.

1823: Michael Faraday descobre a indução eletromagnética, fenômeno chave para as tecnologias de eletroacústica.

1876: Graham Bell obtém a patente do telefone nos EUA, cuja invenção marca o “Big Bang do Áudio”.

1881: A Bell Telephone equipa suas telefonistas com fones de ouvido similares a estetoscópios, que liberam as mãos para operar as centrais telefônicas manuais.

1881: Surgem os primeiros sistemas de notícias e músicas por assinatura via linhas telefônicas como o Théâtrophone (França, 1881), o Telefon Hirmondó (Hungria, 1893) e o Electrophone (Inglaterra, 1895).

1887: Thomas Edison inventa o fonógrafo e logo conectaria tubos de estetoscópio no dispositivo.

1891: Ernest Mercadier introduz o ‘bi-telefone’ para uso em comunicações.

1898: Oliver Lodge inventa o alto falante eletrodinâmico

1910: Nathaniel Baldwin desenvolve seu fone de ouvido com transdutor a cristal para uso com sistemas de rádio da Marinha dos EUA.

1910: Sidney G. Brown desenvolve seu primeiro fone de ouvido com carcaça em alumínio, para comunicações militares que mais tarde seria peça chave na Batalha da Grã-Bretanha.

1920 – 1929: Surgem diversos modelos fabricados por empresas norte-americanas e européias, algumas com nomes pomposos como A.C.Gilbert, American Bell, Allen Electric, Briggs & Stratton, Berstan Radio Products, Bannard, Branston, Benwood, Cannon & Miller, Crosley, Crown Mechanics, DeForest Radio, Edeson Radio, Ericsson BBC, Brunet, Eisemann, Firth & Co., Feldster McCusker, Hamburg, Holtzer Cabot, Kennedy, Keefe Gartner, Keystone, MEL, Neufeldt & Kuhnke, Northern Electric, S.A. Potter, Telefunken, Triangle Electric, Welton & Good e Western Electric.

1937: Eugen Beyer lança o DT48, primeiro fone de ouvido com transdutor eletrodinâmico para uso em radiodifusão que seria fabricado até 2012.

1958: John Koss lança o SP3, primeiro fone eletrodinâmico estéreo para uso com sistemas de alta fidelidade.

1958: A Stax lança o SR1, primeiro fone de ouvido com transdutor eletroestático.

1959: A AKG lança o K50, primeiro fone de ouvido com ergonomia on-ear.

1968: A Sennheiser lança o HD 414, primeiro fone com ergonomia on-ear aberta.

1969: Neil Armstong dá um salto gigante para a humanidade com um headset in-ear da David Clark como parte de seu “Snoopy Cap”.

1970: A beyerdynamic lança o DT100, fone de ouvido over-ear para monitoração em estúdio.

1974: A Audio-Technica lança o ATH-701 com sensíveis avanços na tecnologia eletrodinâmica.

1979: A JS&A lança o Bone Fone, primeiro fone com tecnologia de condução óssea integrado a um rádio AM/FM.

1979: A Sony lança o MDL-3L2 com ergonomia on-ear para o Walkman que inicia a revolução do áudio pessoal.

1984: A Koss introduz o Porta Pro, um fone logo adotado por audiófilos e músicos profissionais.

1989: A Bose desenvolve o headset para pilotos de aeronaves, com cancelamento acústico de ruído, cuja tecnologia seria mais tarde adaptada para passageiros.

1991: A AKG desenvolve o modelo over-ear AUDIMIR para uma série de experimentos psicoacústicos em microgravidade, conduzidos na estação espacial MIR.

1991: A Ultrasone introduz seus primeiros fones com drivers decentralizados, que melhoram o palco sonoro 3D das gravações.

1995: A Sennheiser lança o seu processador surround 5.1 LUCAS para fones de ouvido.

1999: A Dolby lança o sistema Dolby Headphone, que traz a reprodução 5.1 para os fones de ouvido convencionais.

2000: Surgem os primeiros headsets sem fio com tecnologia Bluetooth.

2000: A Bose introduz o Quiet Confort e traz o cancelamento ativo de ruído para as massas.

2001: A Apple introduz seus “earbuds” e resgata a cor branca para produtos de consumo.

2004: Surgem os primeiros fones de ouvido estéreo sem fio com tecnologia Bluetooth.

2005: A Audio-Technica lança o ATH-M50, monitor para aplicações críticas de estúdio, ainda muito popular entre audiófilos.

2008: A Monster Cable introduz a linha beats by Dr.Dre e redefine o fone de ouvido como objeto de desejo e de transgressão.

2008: A Audeze populariza os fones do tipo planar magnético, com tecnologias desenvolvidas para a NASA.

2009: A beyerdynamic lança o T1, com o primeiro sistema eletrodinâmico com intensidade de campo magnético superior a 1 Tesla.

2014: A DTS lança o sistema de processamento Headphone X, que permite a reprodução de 11.1 canais com um par de fones de ouvido convencionais.

2015: A Sennheiser lança a segunda iteração do seu sistema eletroestático Orpheus.

2016: A Smyth Research lança o Realyzer A8 e define um novo paradigma de som surround com fones de ouvido convencionais.

2016: A Jabra e a Apple introduzem respectivamente o Elite Sport e o Airpod totalmente sem fios.

2017: Primeira geração dos smart headphones como o AKG N90Q, Sony WH-1000XM e B&W PX.

2018: A Dolby lança o ATMOS headset porém obtém mais sucesso licenciando a tecnologia para terceiros.

2020: A Apple lança o Airpod Max levando o smart headphone a um novo patamar.

Porque fones de ouvido ?

Os fones de ouvido revelam microdetalhes sonoros que se perdem pela interação entre caixas acústicas e os ambientes durante a reprodução sonora eletrônica. 

Ouça aquele vinil ou CD que você conhece de cor e salteado através de um bom par de fones de ouvido e descubra elementos sonoros originais que até então estavam ocultos.

E redescubra a sua coleção no processo!

Os fones de ouvido também democratizam o acesso à alta fidelidade, onde mesmo fones denominados “high-end” são acessíveis aos que levam sua música a sério. 

Quando combinados a microfones, os fones de ouvido se tornam uma verdadeira interface homem-máquina para interagir  com os inúmeros dispositivos dotados de inteligência artificial.

Porém, e mais importante de tudo, os fones de ouvido fazem parte da trilha sonora das nossas vidas.

beyerdynamic DT880
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Desmistificamos as principais tecnologias da reprodução sonora  binaural.

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